O Japão foi o país que mais nos surpreendeu. A gente já tinha viajado pra Portugal, Croácia, e várias cidades do Brasil. Achava que sabia o que esperar de um destino. O Japão provou que não.
Passamos 45 dias vivendo em Tokyo e viajando pelo país nos finais de semana. Voltamos com uma certeza: queremos voltar. Já tá nos planos.
Onde ficar
Tokyo: Onde a gente ficou. A cidade mais completa do Japão pra nômade digital. Internet de primeiro mundo, milhares de restaurantes, transporte que funciona como nenhum outro, e bairros pra todo estilo de vida. É grande, é intensa, mas funciona. Custo mais alto que o resto do país. Passamos 45 dias e não deu tempo de conhecer tudo.
Osaka: A segunda maior cidade do Japão e provavelmente a melhor relação custo-benefício. Apartamento 20-25% mais barato que Tokyo, comida de rua insana (takoyaki, okonomiyaki, kushikatsu), povo mais extrovertido que o tokyoíta. Dotonbori à noite é uma loucura sensorial. Boa infraestrutura pra trabalho remoto, internet rápida, coworkings disponíveis. Se Tokyo parece demais, Osaka é a alternativa perfeita. Aluguel centro: ¥70.000-100.000.
Kyoto: A cidade dos templos. Linda demais, mas diferente pra morar. Mais calma, mais tradicional, ritmo bem mais lento que Tokyo ou Osaka. Boa pra quem quer foco e tranquilidade. Menos coworkings, menos vida noturna, mais bicicleta e jardim zen. Turismo pesado nas áreas de templo (Higashiyama, Arashiyama), mas os bairros residenciais são tranquilos. A 15min de Osaka de shinkansen. Aluguel: ¥60.000-120.000.
Hiroshima: Cidade menor, muito mais barata, surpreendentemente acolhedora. O Memorial da Paz é pesado mas necessário. Ilha de Miyajima (o torii flutuante) fica a 1h e é imperdível. Boa pra quem quer ritmo devagar e gastar pouco. Internet ok, infraestrutura de coworking limitada. Aluguel: ¥50.000-70.000.
Hakone: Não é pra morar, é pra recarregar. A 1h30 de Tokyo, é o refúgio de onsen (fontes termais) mais acessível da região. Vista pro Monte Fuji em dia limpo. Ryokan (pousada tradicional) com jantar kaiseki e onsen privativo por ¥15.000-30.000 a diária. Day trip de onsen a partir de ¥2.500. A gente ia quase todo final de semana. Vicia.
Dia-a-dia de um nômade digital no Japão
Comida: A melhor parte. Konbinis (7-Eleven, Lawson, FamilyMart) têm comida pronta melhor que muito restaurante, por ¥300-700. Ramen ¥700-1.200, gyudon ¥450-500, teishoku (refeição completa com refil de arroz) ¥800-1.000. Supermercados: ¥40.000-60.000/mês cozinhando em casa. Restaurante em Osaka e Hiroshima é 15-20% mais barato que em Tokyo.
Transporte: O melhor sistema de transporte do mundo. Shinkansen (trem-bala) liga Tokyo-Osaka em 2h20, Tokyo-Kyoto em 2h15, Tokyo-Hiroshima em 4h. JR Pass de 7 dias custa ¥50.000. Dentro das cidades, Suica/Pasmo funciona em tudo: metrô, trem, ônibus, até máquina de venda. ¥10.000-15.000/mês em transporte urbano.
Segurança: O país mais seguro que já estivemos. Ponto. Você esquece carteira no trem e ela volta. Crianças de 6 anos andam de metrô sozinhas. Não tem crime violento. Não tem pickpocket. Você anda de madrugada em qualquer bairro sem pensar duas vezes.
Idioma: Pouquíssima gente fala inglês fora de Tokyo e áreas turísticas. Google Translate com câmera é obrigatório. Os endereços não seguem lógica, Google Maps é essencial. Aprenda hiragana e katakana básico, ajuda muito.
Internet: Fibra de 500mbps a 1gbps nos apartamentos. Cobertura 4G/5G excelente. eSIM (Ubigi, Airalo) funciona bem. Wi-fi pocket pra alugar no aeroporto (¥6.000-9.000/mês). Cuidado: muitos "free wifi" só funcionam com plano de celular japonês.
Coworkings: Tokyo tem muita opção (.andwork, CASE, BLINK, S-Tokyo). Osaka tem algumas (The Deck, WeWork Namba). Kyoto e Hiroshima são mais limitadas. De modo geral, trabalhar de casa no Japão é muito viável porque os apartamentos são bem equipados.
O que ninguém te conta
Moradia pra estrangeiro é complicada. Muitos proprietários recusam estrangeiros. Com visto de nômade digital, você não abre conta em banco nem assina contrato de aluguel padrão. Use Sumyca, sharehouses ou serviced apartments. Airbnb existe mas a regulamentação apertou e as opções boas são poucas.
Dinheiro vivo ainda importa. Restaurantes tradicionais, ramen shops e lojas pequenas muitas vezes só aceitam cash. Tenha sempre ¥10.000-20.000 em espécie. 7-Eleven tem caixa eletrônico que aceita cartão internacional.
Lixo é sério. Não existe lixeira na rua. Separação rígida: combustível, plástico, PET, vidro, papel, cada um num dia diferente. Você aprende rápido mas no começo é confuso.
Fuso horário com o Brasil é brutal. +12h. Se sua empresa é brasileira, suas reuniões são 6h da manhã ou meia-noite. Funciona mas cansa. Planeje antes de ir.
Tudo é pequeno. Apartamentos, elevadores, restaurantes. Você se acostuma, mas leve mala compacta. Mala grande no metrô é sofrimento.
O visto de nômade digital exige renda de ¥10 milhões/ano (~R$ 330.000). É single-entry, máximo 6 meses, não renovável. Tem que sair do Japão 6 meses antes de aplicar de novo. Pra estadias mais curtas (até 90 dias), brasileiros entram sem visto.
Solidão bate. Os japoneses são reservados. Fazer amizade de verdade leva tempo. Meetups internacionais ajudam (Meetup.com, Tokyo Internationals). A gente sentiu isso forte nas primeiras semanas.
Custos reais (casal, 2026)
Em Tokyo (onde ficamos):
- Apartamento Sumyca (espaçoso, Shinjuku): ¥300.000/mês (~R$ 10.000)
- Mercado/konbini: ¥80.000-120.000/mês (~R$ 2.700-4.000)
- Comer fora (4-5x/semana): ¥70.000-100.000/mês (~R$ 2.400-3.400)
- Transporte: ¥25.000-35.000/mês (~R$ 850-1.200)
- Lazer e day trips: ¥30.000-60.000/mês (~R$ 1.000-2.000)
Total Tokyo: ~R$ 17.000-21.000/mês pro casal (R$ 8.500-10.500 por pessoa)
Dá pra gastar menos pegando apartamento menor (¥150.000-200.000) ou morando em bairros como Koenji e Kichijoji. Quem mora sozinho e cozinha bastante gasta entre R$ 7.000-9.000/mês.
Em Osaka ou Kyoto, espere gastar 20-30% menos que Tokyo. Hiroshima pode ser até 40-50% mais barato em moradia.
Com o yen desvalorizado, o Japão talvez seja o país desenvolvido mais acessível do mundo pra quem ganha em dólar ou euro. Mais barato que Londres, Paris ou Zurich, disparado.
Melhor época pra ir
Março-Maio: Cerejeiras em flor (hanami) em março-abril. Temperatura perfeita (15-22°C). A época mais bonita do Japão. Preços sobem e tudo lota na golden week (final de abril, início de maio).
Outubro-Novembro: Outono. Folhas vermelhas e amarelas, clima agradável (12-20°C), menos turista que primavera. Nossa recomendação pra quem quer curtir sem multidão.
Junho-Setembro: Verão. Junho é tsuyu (estação chuvosa), úmido e chato. Julho-Agosto: quente demais (32-38°C com umidade absurda). Festivais de verão são incríveis mas o calor é punitivo.
Dezembro-Fevereiro: Inverno. Frio (2-10°C) mas seco e ensolarado. Iluminações de Natal lindas. Onsens ficam ainda melhores. Mais barato e vazio.
Vale a pena?
A gente já foi pra muitos lugares. Cada um tem seu encanto. Mas o Japão foi diferente.
A eficiência é absurda. A comida é a melhor que já comemos em qualquer país. A segurança te faz esquecer que insegurança existe. O transporte funciona no nível do segundo. E mesmo assim, é um país cheio de alma, de tradição, de beleza que não grita mas que você sente em cada esquina.
Não é perfeito. O idioma é barreira real. A solidão pode apertar. O fuso horário com o Brasil é cruel. E morar no Japão como estrangeiro sem visto permanente tem suas complicações.
Mas se você trabalha remoto e tem condição de ir por pelo menos 3-4 semanas, vai. O Japão muda a forma como você enxerga o que uma cidade pode ser. O que eficiência significa. O que respeito pelo próximo parece na prática.
A gente voltou pro Brasil querendo voltar pro Japão. E vamos. Foi a experiência de uma vida, e a gente quer repetir.
Resumo rápido
| Item | Observação/Nota |
|---|---|
| Gasto médio/mês | R$ 8.500-10.500 (Tokyo, 1 pessoa) |
| Melhor época | Mar-Mai, Out-Nov |
| Tempo recomendado | 4-8 semanas (mínimo 3) |
| Internet | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Segurança | ⭐⭐⭐⭐⭐ |
| Custo-benefício | ⭐⭐⭐⭐☆ |
| Bom pra começar | ⭐⭐⭐☆☆ |
Ficou alguma dúvida?
O Japão parece distante e complicado. A gente também achava. Mas depois que você chega, tudo funciona. Se bateu alguma dúvida ou insegurança, fica tranquilo. É normal. Sempre respondemos perguntas no nosso Instagram @chegaderoteiro.



