Canal de Bruges com casinhas medievais refletindo na água
Guia de Cidade

Um fim de semana em Bruges na Bélgica

As praças medievais, os museus que valem a pena, onde tomar cerveja belga, e por que essa cidade parece cenário de filme

A gente conheceu Bruges num fim de semana enquanto passava umas semanas na Bélgica. Não era nosso destino principal, era só "uma parada rápida". Acabou sendo um dos lugares que mais marcaram aquela temporada na Europa.

Curtindo o inverno em Bruges com temperaturas de 0ºC
Curtindo o inverno em Bruges com temperaturas de 0ºC

Este guia é pra quem quer aproveitar Bruges em 2-3 dias. Sem correria, no ritmo de quem quer aproveitar.

Por que Bruges?

Se você está fazendo slow travel pela Bélgica ou pela Europa, Bruges é o destino perfeito de fim de semana. De trem, fica a 1h de Bruxelas ou 2h30 de Amsterdam.

É o tipo de cidade que você explora a pé, sem pressa. Pequena o suficiente pra não precisar de transporte público, grande o suficiente pra ter coisas interessantes pra fazer por dois ou três dias.

O que fazer em Bruges

Bruges é compacta. Dá pra ver o essencial em 2 dias, mas 3 dias permitem um ritmo mais tranquilo.

Markt (Praça do Mercado) é o centro moderno da cidade. Rodeada por prédios coloridos com aquelas fachadas típicas. Cafés com mesas na calçada, carruagens passando. Sim, é turístico mas também é genuinamente bonito.

O destaque aqui é o Belfort (Bell Tower), os sinos medievais que dominam o céu de Bruges. São 366 degraus até o topo, mas a vista compensa cada passo. Se tiver sorte de estar lá quando o sino toca, é um daqueles momentos que você não esquece.

Burg Square fica logo ao lado, mas tem uma vibe completamente diferente. Mais solene, mais histórica. É aqui que você encontra alguns dos prédios mais impressionantes da cidade.

A Basílica do Santo Sangue é pequena mas linda. E segundo o lugar, ele guarda o sangue de Jesus.

O City Hall (Prefeitura) ao lado vale a entrada. A Sala Gótica, de 1400, tem um teto de madeira que parece impossível de ter sido feito à mão. A Sala Renascentista completa a visita.

Groeninge Museum. Se você só for entrar em um museu, que seja esse. É a melhor coleção de arte flamenga do mundo. Van Eyck, Bosch, Memling, os caras que inventaram a pintura a óleo como conhecemos. São quadros de 500 anos que parecem ter sido pintados ontem.

Sint-Janshospitaal e a Coleção Memling. Um hospital medieval do século XII transformado em museu. Além da arquitetura impressionante, abriga obras de Hans Memling, um dos maiores dos Primitivos Flamengos.

Gruuthuse Museum. Uma mansão medieval que mostra como era a vida da elite de Bruges. Móveis, tapeçarias, objetos do dia a dia. É um mergulho na história material da cidade. E a vista do pátio interno pra Igreja de Nossa Senhora é linda.

Igreja de Nossa Senhora (Onze-Lieve-Vrouwekerk). Tecnicamente não é museu, mas abriga a Madonna de Bruges, escultura de Michelangelo. Foi a primeira obra dele a sair da Itália durante sua vida. Pequena, delicada, e estranhamente emocionante de ver pessoalmente.

Folklore Museum. Se você tiver um terceiro dia, esse museu mostra como era a vida cotidiana em Bruges durante a era de ouro da cidade. Bem apresentado, menos turístico que os outros.

De Halve Maan Brewery. A cervejaria mais famosa de Bruges, produzindo desde 1856. O tour é divertido, informativo, e termina com degustação. Eles têm canos subterrâneos que transportam cerveja por baixo da cidade até a fábrica de engarrafamento.

Bourgogne des Flandres. Outra cervejaria com tour excelente. Menor, mais íntima. O tour explica o processo de produção das cervejas de fermentação mista que a Bélgica é famosa.

Waffle sem glúten da confeitaria Otto em Bruges
Waffle sem glúten da confeitaria Otto em Bruges

O que você pode pular

Nem tudo que aparece nos guias vale seu tempo:

Passeio de barco pelos canais. Bonito? É. Necessário? Nem tanto. Os canais são lindos de qualquer ângulo, e você vê mais caminhando do que espremido num barco com 30 pessoas.

Museu do Chocolate. Existem vários. A maioria é pega turista. Se você quer aprender sobre chocolate belga de verdade, entra numa chocolateria artesanal, conversa com o dono e compra uns bombons.

Carruagens. Caro, desnecessário, e um pouco triste pros cavalos. A cidade é pequena, ande a pé.

Dicas práticas

Como chegar: Trem é a melhor opção. A estação de Bruges fica a 15 minutos a pé do centro. De Bruxelas, trens saem a cada meia hora.

Quanto tempo: 2 dias é o ideal. 3 se você quiser um ritmo bem relaxado ou se interessa muito por arte/história.

Quando ir: Primavera e outono são perfeitos, com menos turistas e clima agradável. Verão lota. Inverno é frio e cinza, mas tem um charme melancólico (e menos gente).

Hospedagem: Fique dentro das muralhas medievais (o centro histórico). A cidade é pequena e segura, qualquer localização central funciona. A gente ficou no Martin's Brugge, bem no centro, a poucos minutos a pé das praças principais.

Dinheiro: Bélgica usa Euro. Cartão aceito em quase todo lugar, mas leve um pouco de dinheiro pra lugares menores.

Não é destino de nômade, e tá tudo bem

Bruges não é o lugar pra ficar um mês trabalhando remotamente. É pequena demais, turística demais, cara demais pra isso.

Mas é exatamente o tipo de lugar que faz o slow travel valer a pena. Aquela escapada de fim de semana enquanto você está baseado em alguma cidade maior. O respiro entre semanas de trabalho.

A gente foi pra Bruges sem muitas expectativas, voltou com a sensação de ter viajado no tempo.

Vini e Cami - Criadores do Chega de Roteiro

👋 Oi, somos Vini e Cami!

Um programador e uma editora de vídeo que trocaram a rotina normal por uma temporada viajando o mundo enquanto trabalhavam remotamente. Passamos por mais de 90 cidades e 30 países.

Compartilhamos o aprendizado que o nomadismo digital é possível, que pra viajar não precisa largar tudo pra trás, que viagens mais longas (slow travel) é o nosso estilo de viajar preferido.